Você não perdeu o amor. Você confundiu desejo com amor.
Por que seu relacionamento parece vazio (e como isso pode mudar)
Por que seu relacionamento parece vazio (e como isso pode mudar)
Mas não são.
E confundir os dois pode destruir seu casamento sem que você perceba.
Deixe-me explicar.
Desejo é sobre consumir.
É aquela vontade de ter, de absorver, de possuir. O desejo não precisa de motivo. Ele aparece simplesmente porque o outro está ali.
E quando você consegue o que quer? O desejo desaparece.
É como comer quando está com fome. Você devora, satisfaz e pronto. A vontade passa.
No relacionamento, o desejo funciona assim: você quer a presença do outro, a atenção, o sexo, a validação. Mas, quando consegue, a intensidade diminui, e você começa a procurar o próximo estímulo.
É a vontade de proteger, de alimentar, de estar presente. Não porque você precisa, mas porque o outro importa.
No amor, você se expande. Você sai de si mesmo e vai em direção ao outro. Não para possuir, mas para doar.
E quanto mais você ama, mais o amor cresce. Ele não se esgota. Ele se fortalece.
Aqui está o problema:
Vivemos em uma cultura do imediato.
Você compra por impulso. Quer resultados instantâneos. Não tem paciência para esperar.
E isso contamina seus relacionamentos.
Porque amor não é instantâneo. Amor precisa de tempo. Precisa ser cultivado como uma planta. Você rega, cuida, espera crescer.
Mas ninguém quer esperar.
Então, o que acontece? Você confunde desejo com amor.
Você acha que aquela paixão inicial, aquela vontade intensa de estar junto, é amor. Mas não é. É desejo.
E quando o desejo passa — e ele sempre passa — você acha que o amor acabou.
Aí vem a crise.
A confusão que destrói relacionamentos:
Você olha para o seu parceiro e pensa: “Não sinto mais nada”.
Mas o que você não sente mais é o desejo. A urgência. A intensidade.
O amor ainda está lá. Só que você não o reconhece mais.
Porque amor não é sentimento. Amor é decisão.
É escolher cuidar, mesmo quando não está com vontade.
É escolher estar presente, mesmo quando é difícil.
É escolher construir, em vez de consumir.
E tem mais:
Você quer que o outro mude para te satisfazer.
Você quer que ele seja do jeito que você imaginou.
Você tenta moldar, ajustar, consertar.
E chama isso de “cuidado”.
Mas não é cuidado. É posse.
Então, o que fazer?
Primeiro, reconheça a diferença.
Desejo é sobre você. Amor é sobre o outro.
Desejo consome. Amor cuida.
Desejo acaba. Amor cresce.
Segundo, pare de esperar que o relacionamento o complete.
Se você está vazio por dentro, o outro não vai preencher esse vazio.
Você precisa olhar para dentro. Entender o que falta. Resgatar um sentido para a sua própria vida.
Porque, quando você está inteiro, consegue amar de verdade.
Terceiro, tenha paciência.
Amor não acontece do dia para a noite. Ele se constrói, tijolo por tijolo, no dia a dia.
E sim, é trabalhoso. Mas vale a pena.
A verdade é esta:
Se você sente que seu relacionamento está vazio, pode ser que você não tenha perdido o amor.
Pode ser que você nunca tenha entendido o que o amor realmente é.
E está tudo bem.
Porque agora você pode começar de novo.
Com clareza. Com intenção. Com amor de verdade.
Abraço,
Julio Furlaneto
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