Julio FurlanetoJulio Furlaneto

Depressão · 3 min

Você não perdeu o amor. Você confundiu desejo com amor.

Por que seu relacionamento parece vazio (e como isso pode mudar)

Julio Jansen Iglesias FurlanetoJulio Jansen Iglesias FurlanetoPsicólogo Clínico · CRP 05550-0
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Por que seu relacionamento parece vazio (e como isso pode mudar)

Mas não são.

E confundir os dois pode destruir seu casamento sem que você perceba.

Deixe-me explicar.

Desejo é sobre consumir.

É aquela vontade de ter, de absorver, de possuir. O desejo não precisa de motivo. Ele aparece simplesmente porque o outro está ali.

E quando você consegue o que quer? O desejo desaparece.

É como comer quando está com fome. Você devora, satisfaz e pronto. A vontade passa.

No relacionamento, o desejo funciona assim: você quer a presença do outro, a atenção, o sexo, a validação. Mas, quando consegue, a intensidade diminui, e você começa a procurar o próximo estímulo.

É a vontade de proteger, de alimentar, de estar presente. Não porque você precisa, mas porque o outro importa.

No amor, você se expande. Você sai de si mesmo e vai em direção ao outro. Não para possuir, mas para doar.

E quanto mais você ama, mais o amor cresce. Ele não se esgota. Ele se fortalece.

Aqui está o problema:

Vivemos em uma cultura do imediato.

Você compra por impulso. Quer resultados instantâneos. Não tem paciência para esperar.

E isso contamina seus relacionamentos.

Porque amor não é instantâneo. Amor precisa de tempo. Precisa ser cultivado como uma planta. Você rega, cuida, espera crescer.

Mas ninguém quer esperar.

Então, o que acontece? Você confunde desejo com amor.

Você acha que aquela paixão inicial, aquela vontade intensa de estar junto, é amor. Mas não é. É desejo.

E quando o desejo passa — e ele sempre passa — você acha que o amor acabou.

Aí vem a crise.

A confusão que destrói relacionamentos:

Você olha para o seu parceiro e pensa: “Não sinto mais nada”.

Mas o que você não sente mais é o desejo. A urgência. A intensidade.

O amor ainda está lá. Só que você não o reconhece mais.

Porque amor não é sentimento. Amor é decisão.

É escolher cuidar, mesmo quando não está com vontade.

É escolher estar presente, mesmo quando é difícil.

É escolher construir, em vez de consumir.

E tem mais:

Você quer que o outro mude para te satisfazer.

Você quer que ele seja do jeito que você imaginou.

Você tenta moldar, ajustar, consertar.

E chama isso de “cuidado”.

Mas não é cuidado. É posse.

Então, o que fazer?

Primeiro, reconheça a diferença.

Desejo é sobre você. Amor é sobre o outro.

Desejo consome. Amor cuida.

Desejo acaba. Amor cresce.

Segundo, pare de esperar que o relacionamento o complete.

Se você está vazio por dentro, o outro não vai preencher esse vazio.

Você precisa olhar para dentro. Entender o que falta. Resgatar um sentido para a sua própria vida.

Porque, quando você está inteiro, consegue amar de verdade.

Terceiro, tenha paciência.

Amor não acontece do dia para a noite. Ele se constrói, tijolo por tijolo, no dia a dia.

E sim, é trabalhoso. Mas vale a pena.

A verdade é esta:

Se você sente que seu relacionamento está vazio, pode ser que você não tenha perdido o amor.

Pode ser que você nunca tenha entendido o que o amor realmente é.

E está tudo bem.

Porque agora você pode começar de novo.

Com clareza. Com intenção. Com amor de verdade.

Abraço,

Julio Furlaneto

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