Quando um não quer, dois não brigam. Será?
O que está por trás da necessidade de conflito nos relacionamentos, e por que entender isso muda tudo.
O que está por trás da necessidade de conflito nos relacionamentos, e por que entender isso muda tudo.
Você já ouviu esse ditado:
“Quando um não quer, dois não brigam.”
Parece fazer sentido. Parece verdade.
Mas na prática clínica, o que eu vejo é diferente.
Quando um não quer brigar, o outro muitas vezes insiste até conseguir. Provoca. Aporrinha. Faz pequenas coisas que vão tirando o outro do equilíbrio, até que a briga finalmente acontece.
E aí o ditado popular cai por terra.
Por que alguém faria isso?
Não é por maldade (considerando pessoas decentes). Raramente é consciente. É porque há algo incomodando por dentro, algo que ainda não tem nome, que não foi dito, que não foi entendido. E esse desconforto precisa sair de alguma forma.
A briga vira a saída mais fácil.
O problema é que a briga em si não resolve nada. Ela descarrega uma tensão momentânea, mas não toca na causa real. O outro mal consegue entender o que está acontecendo. E o ciclo se repete.
Não de que a relação está acabada, mas de que há algo que precisa de atenção. Algo que precisa ser trabalhado, conversado, ajustado.
Quando você entende o que realmente está te incomodando, a comunicação muda. Ela fica mais organizada. Menos ruidosa. Mais clara para quem está do outro lado.
E uma conversa clara tem muito mais chance de gerar uma mudança real do que uma briga vazia, que começa por qualquer motivo e termina sem nenhuma resolução.
Não é sobre ter razão. É sobre entender o que está acontecendo dentro de você antes de levar isso para fora.
Esse entendimento é o começo de uma comunicação que realmente funciona.
Abraço, Julio Furlaneto
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