O perigo de fugir dos próprios problemas
Reconheça suas limitações, peça ajuda com honestidade e preserve suas relações
Reconheça suas limitações, peça ajuda com honestidade e preserve suas relações
Assim como é difícil amar o outro sem antes se amar, quem está sofrendo com frequência acaba fazendo sofrer quem está perto. Vejamos por que isso acontece, com um exemplo simples.
Um homem compra uma lâmpada de mesa que precisa ser instalada sob uma prateleira. Ele tenta montar, mas não consegue — não é eletricista e as peças não se encaixam.
Se for emocionalmente equilibrado, ele dirá à mulher que não conseguiu, pedirá ajuda a um amigo ou chamará um eletricista. Simples.
Se não estiver bem consigo mesmo — se carregar sentimentos de inferioridade e já tiver fracassado outras vezes — vai evitar admitir o problema. Para não dizer “não consigo”, começa a arrumar desculpas e a culpar fatores externos: a lâmpada é mal feita, hoje em dia ninguém trabalha direito, ele não tem a ferramenta certa, a esposa guardou os fios no sótão quando fez limpeza, e por aí vai. Assim cria um bode expiatório e abandona a tarefa sem parecer incompetente.
Esse truque tem uma vantagem aparente: ele não precisa se expor como incapaz e ganha tempo para buscar ajuda sem admitir a falha. Mas há um custo real: a pessoa que é acusada (a esposa, no exemplo) sente-se magoada, perde um pouco de estima pelo marido e tende a pedir menos favores no futuro. A ferida da inferioridade permanece, e a relação fica mais fria — mesmo que não se fale sobre o assunto.
Padrão 1 — “faço com que outro resolva”
A pessoa não resolve os próprios problemas e leva alguém do seu círculo a fazê-los por ela.
Usa pressões diretas ou indiretas: sinais de desamparo, queixas, choros, fingimento de doença, ameaças dramáticas.
Se o outro ajuda, a pessoa sente-se “vitoriosa” sem ter se esforçado; se o outro falha, passa a culpá-lo, gerando remorso na pessoa que tentou ajudar — e assim persuade essa pessoa a tentar novamente.
Vantagens para quem age assim: evita esforço, nunca é responsabilizado e mantém controle sobre quem o ajuda.
Desvantagens: cria dependência, assume o papel de desamparado, acaba odiando quem precisa e a si mesmo; quem convive com ele se sente sobrecarregado e, muitas vezes, rejeitado.
Padrão 2 — “não tenho opinião própria”
A pessoa se sente insegura para formar juízo e, por isso, depende continuamente da opinião alheia.
Muda de posição conforme quem fala mais alto no momento, não se compromete nem toma decisões claras.
Assim evita a responsabilidade: se deu certo, diz que teria sido o mesmo; se deu errado, culpa os outros por tê-la influenciado.
Vantagem aparente: mantém as “mãos limpas” e não precisa assumir riscos.
Desvantagens: perde a confiança dos outros, suas avaliações ficam cada vez mais erradas, e essa insegurança crônica costuma resultar em esgotamento físico, emocional e social.
Viver sem equilíbrio emocional tende a transformar pequenas dificuldades em problemas de relacionamento duradouros. O pedido “Ajuda-me, Senhor, para que eu não me torne um peso” é também um chamado para reconhecer a ordem de valores e ter coragem de se comprometer com ela. Comprometer-se significa aceitar riscos, reconhecer limitações e assumir com dedicação as responsabilidades que nos cabem — esse é o caminho para ser útil aos outros, sem se tornar um peso.
Abraço, Julio Furlaneto
Como a terapia online pode ajudar
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