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Relacionamentos · 18 min de leitura

Depois do Fim - Como Superar o Luto após o Término de um Relacionamento

A importância de reconhecer o luto após términos

Julio Jansen Iglesias FurlanetoJulio Jansen Iglesias FurlanetoPsicólogo Clínico · CRP 05550-0
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A importância de reconhecer o luto após términos

Baseada nos estudos pioneiros da Dra. Elizabeth Kübler-Ross em 1969, essa teoria foi inicialmente aplicada a pessoas que passavam pela perda de entes queridos. Com o avanço da psicologia, da neurociência e da psiquiatria, percebemos que essas mesmas etapas também enxergam de modo curioso os términos amorosos: rejeição, raiva, negociação, tristeza profunda e, por fim, aceitação.

Ao longo deste conteúdo, vamos detalhar cada fase:

Você já passou por um término e, mesmo com todas as evidências de que acabou, sentia que ainda havia alguma chance? Que talvez a pessoa só estivesse confusa ou que bastava dar um tempo que tudo se resolveria?

Essa é a negação em ação.

A negação é a primeira fase do luto, descrita por Elisabeth Kübler-Ross, uma das pioneiras no estudo das reações humanas diante da perda. E, apesar de parecer um obstáculo, ela cumpre uma função essencial: proteger a nossa mente de um choque emocional muito intenso .

Quando um relacionamento termina, não perdemos apenas uma pessoa. Perdemos planos, hábitos, intimidade, a rotina de falar com alguém todos os dias, o "bom dia" e o "boa noite", o “vai com Deus”. Perdemos um pedaço da nossa identidade, especialmente se estivemos por muito tempo com aquela pessoa. Por isso, a mente tenta anestesiar o impacto dessa ruptura. E faz isso dizendo: “Ainda não acabou.”

Como a negação aparece?

A negação pode se manifestar de formas sutis — e nem tão sutis assim. Aqui vão alguns exemplos comuns:

Esses comportamentos não te tornam fraco(a). Eles são tentativas humanas de manter algo que era importante para você . Mas, se você permanecer tempo demais nessa fase, a negação pode se transformar numa prisão emocional. Você fica refém de expectativas que não condizem mais com a realidade.

Por que é tão difícil aceitar?

Porque aceitar dói. Dói encarar que o outro não quer mais, que as promessas não se cumpriram, que algo em que você acreditava com todo o coração chegou ao fim. E, no fundo, essa dor tem uma raiz mais profunda: o medo de não ser amado(a) novamente , de não encontrar outro parceiro, de “ter jogado tempo fora”, de não ser suficiente.

A negação é o jeito da nossa mente dizer: "Não estou pronto para lidar com tudo isso de uma vez."

Como atravessar essa fase de forma mais saudável?

E quando você começa a aceitar?

Você perceberá que está saindo da negação quando:

A saída da negação é, na verdade, a entrada na realidade . E, por mais dura que ela seja, é nela que a cura acontece. Só conseguimos reorganizar a nossa vida quando paramos de alimentar a ilusão de que tudo pode voltar a ser como era antes.

Na próxima fase, vamos falar sobre a raiva : um sentimento que muitos tentam evitar, mas que pode ser um passo poderoso de libertação quando bem compreendido.

Se você está vivendo a negação agora, lembre-se: não é fraqueza. É só o começo do seu processo de transformação.

Fase 2: Raiva – Quando o coração que sangra começa a gritar

Se a negação é silenciosa, a raiva é barulhenta. Ela vem como um grito da alma que começa a perceber que algo se perdeu de verdade.

Você começa a sentir o sangue ferver, os pensamentos ficam mais acelerados e, muitas vezes, se pega dizendo frases como:

Essa fase costuma ser confusa porque mistura dor, indignação, ressentimento, sensação de injustiça e até vergonha. A raiva pode ser direcionada para várias frentes: para o ex, para si mesmo(a), para amigos que “não avisaram”, para Deus, para a vida.

Mas aqui está uma verdade que poucos contam: a raiva é um sinal de que você está começando a voltar para si .

Por que sentimos tanta raiva?

Porque você começa a perceber que acreditou numa promessa que não se cumpriu. Investiu tempo, energia, amor — e, de repente, tudo desmoronou. A raiva nasce como uma reação à frustração, à sensação de impotência e à quebra de expectativas.

É o momento em que o cérebro emocional grita: "Eu não merecia passar por isso!"

E ele tem razão. Você não merecia sofrer. Mas, agora que isso aconteceu, essa energia da raiva pode ser canalizada como força para romper os laços emocionais com o passado e começar o movimento de libertação.

Como essa raiva aparece?

E, sim, você pode se assustar com o que sente. Muitas pessoas, especialmente as mais contidas ou educadas para “serem boas”, se sentem culpadas por sentir raiva. Mas aqui está algo importante: sentir raiva não faz de você uma pessoa ruim — faz de você uma pessoa ferida .

Como atravessar a fase da raiva sem se autodestruir?

O que essa fase ensina?

A raiva, quando vivida com consciência, ensina você a se posicionar . A dizer “basta”. A perceber onde passou dos seus limites. A entender que amar não significa se anular.

Muitas pessoas relatam que, após atravessarem essa fase, sentem como se estivessem voltando a se enxergar no espelho — com mais firmeza, mais coragem, mais respeito por si mesmas.

A raiva bem vivida não destrói. Ela reconstrói.

Na próxima etapa, falaremos sobre a negociação : o momento em que a mente começa a fazer acordos internos para tentar reverter a perda ou aliviar a dor.

Se a raiva é o fogo que consome, a negociação é a névoa que tenta confundir. Mas, como sempre, há aprendizado em cada etapa.

Fase 3: Negociação – Quando a mente tenta reverter o irreversível

Depois da raiva, vem o momento em que algo dentro de você começa a mudar o tom. A intensidade emocional se transforma em argumentos silenciosos. A mente começa a negociar.

É como se, secretamente, você dissesse: “Será que ainda dá pra salvar isso?” “E se eu mudar?” “Talvez se eu fizer tudo diferente, ele(a) volte...”

Essa é a fase da negociação .

Não é uma negociação direta com o outro — é uma negociação interna. Com você mesmo, com o passado, com Deus, com o destino. A mente tenta encontrar atalhos para escapar da dor da perda.

Como a negociação se manifesta?

Ela pode aparecer de forma sutil ou escancarada, como:

Em resumo, a negociação é o esforço da mente em tentar reverter ou suavizar a perda.

Por que negociamos?

Porque estamos diante de algo que não controlamos: o fim. A perda do outro representa também a perda de controle — e isso gera pânico. Então o cérebro tenta recuperar algum poder sobre a situação. “Talvez se eu me esforçar mais, ainda haja esperança.”

Esse comportamento está ligado a um mecanismo de sobrevivência emocional . O ser humano tem uma necessidade profunda de sentido e pertencimento. E quando algo se rompe abruptamente, negociamos para tentar restaurar esse sentido.

Mas, em vez de cura, a negociação pode nos prender.

Você pode ficar estagnado(a), alimentando esperanças falsas, abrindo mão de sua dignidade emocional, se esforçando para “melhorar” por alguém que já virou a página.

Os perigos dessa fase:

Como atravessar a negociação com lucidez?

O que essa fase ensina?

A negociação é o momento em que aprendemos que nem todo amor precisa voltar para que seja valorizado . Que a gente pode crescer com a dor sem precisar voltar a ela. Que o verdadeiro movimento de superação não é resgatar o que foi, mas honrar o que se viveu e construir algo novo a partir disso .

É nesta fase que a aceitação começa a se aproximar. Ainda distante, talvez, mas já possível de ser vislumbrada.

Na próxima etapa, mergulharemos na tristeza profunda, o ponto mais silencioso e vulnerável do luto — e também o mais verdadeiro.

Se você está passando pela negociação, lembre-se: Você não precisa negociar com o passado para merecer um futuro melhor.

Fase 4: Tristeza profunda (ou depressão) – Quando a dor para de gritar e começa a pesar

Depois das tentativas de negociação, depois da raiva que queimava e da negação que tentava proteger, o silêncio chega. O corpo cansa, a mente se rende, e a emoção toma outra forma: tristeza.

É nessa fase que muitas pessoas dizem: “Agora caiu a ficha de verdade.” E com ela, o peso do vazio. O coração começa a aceitar que acabou, mas essa aceitação vem acompanhada de dor emocional intensa , falta de energia, saudade profunda e um sentimento de perda que parece que nunca vai passar.

Essa fase não é frescura, nem fraqueza

É comum ouvir: “Ah, isso é exagero. Já passou tempo demais. Segue em frente!” Mas quem está vivendo essa fase sabe: não é uma escolha estar triste — é uma consequência da perda real de algo que era importante .

Essa tristeza profunda não é necessariamente uma depressão clínica (embora, se prolongada e intensa, possa evoluir para isso). Ela é uma fase natural do luto, mas merece cuidado e acolhimento.

Como essa fase se manifesta?

Essa fase não é perigosa por existir , mas pode se tornar perigosa quando a pessoa tenta reprimi-la ou se afunda nela sem apoio.

O que ela revela?

A fase da tristeza mostra que você amou de verdade . Que aquele relacionamento, mesmo que tenha terminado, representava algo significativo para você. E que, agora, existe um luto por tudo que foi e tudo que não será mais.

É aqui que você começa a se despedir, aos poucos, dos sonhos em comum, dos planos que foram feitos, da rotina compartilhada, das pequenas coisas que uniam vocês.

É um “adeus” que dói porque ele não tem uma cerimônia oficial. Não tem data marcada. É interno. E, por isso, exige coragem.

Como atravessar essa fase sem afundar?

O que essa fase ensina?

A tristeza profunda, por mais escura que pareça, é um portal . Ela obriga você a olhar para dentro, a se reconectar com sua essência, a se perguntar: “Quem eu sou sem esse relacionamento?” “O que posso aprender com tudo isso?”

E, aos poucos, você começa a perceber que a dor não precisa desaparecer para que a vida volte a fazer sentido. A dor pode caminhar com você por um tempo, sem te paralisar.

A fase da tristeza é como o inverno da alma. Tudo parece adormecido. Mas, no silêncio, sementes estão sendo plantadas . Sementes de força, de autoconhecimento, de uma nova identidade que está se formando.

Na próxima etapa, chegamos ao início de uma nova estação: a aceitação . O ponto em que você começa a perceber que é possível viver bem, mesmo sem aquilo que se perdeu.

Se você está nesse momento de tristeza, por favor: não desista de si. Essa dor não define quem você é. Ela só mostra o quanto você sentiu — e, sentir, é prova de que você é humano(a).

Fase 5: Aceitação – Quando a dor vira cicatriz, e a vida reencontra o ritmo

A aceitação não é o fim da dor. Também não é esquecer o que foi vivido, nem fingir que nada aconteceu. Aceitar é, na verdade, parar de lutar contra a realidade . É olhar para o que houve e, mesmo com o coração ainda um pouco machucado, dizer com serenidade: “Foi. Acabou. E está tudo bem.”

Na aceitação, você não precisa mais entender todos os porquês. Você não tenta mais reescrever a história, nem fantasiar um reencontro. Você se permite seguir. Leve.

Como essa fase se apresenta?

Aos poucos, sem alarde.

É como se, depois de atravessar uma floresta escura, você começasse a ver a claridade no horizonte. A vida ainda está ali. Esperando você voltar pra ela.

O que não é aceitação?

Aceitação é amadurecimento emocional . É quando você entende que algumas perdas fazem parte do processo de viver — e que elas não anulam sua capacidade de ser feliz.

O que muda na aceitação?

Como fortalecer a aceitação?

A grande virada:

Aceitar é quando você entende que, mesmo sem o outro, você continua inteiro(a) . Que sua história não termina com um fim — ela apenas muda de capítulo.

E assim, encerramos as 5 fases do luto aplicadas ao fim de um relacionamento. Esse ciclo não é linear: você pode ir e voltar entre fases, pode sentir duas delas ao mesmo tempo, pode demorar em uma e passar rápido por outra. Mas ele sempre caminha — e você caminha junto.

Se você chegou até aqui, saiba:

A dor que hoje ainda visita, amanhã pode ser memória. E da memória pode nascer uma versão sua ainda mais forte, mais consciente e mais leve.

Abraço, Julio Furlaneto

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